sábado, 11 de janeiro de 2014

Templários e Maçonaria


Templários e Maçonaria 
por Gustavo Barroso

              
Capa do livro de Gustavo Barro, O Quarto Império. 
Uma raridade negada ao grande público.

(...).

Para se ter uma compreensão nítida do que foi a Revolução Francesa, que abre o período que denominamos Império do Capricórnio, isto é, simbolicamente, Império da Confusão, dos Instintos, da Animalidade, precisamos recuar no tempo até a Ordem dos Templários. O espirito religioso e social da Idade-Média, informada pelo Feudalismo e pela Igreja, floresceu admiravelmente na instituição da Cavalaria. Os cavaleiros cristãos que combatiam pela Cruz, que perseguiam os maus, que endireitavam os tortos, que vingavam os agravios, que venciam os bruxedos, que domavam os monstros e que aspiravam um lugar á Távola Redonda ou ajoelhar-se aos pés do Santo Graal, formavam como que uma Ordem religiosa Universal. Daí, com o tempo, o aparecimento no seu seio das Ordens Monásticas Militares, entre as quais a dos Templários, defensores do Templo, chegou ao fastigio da riqueza e da influencia politico-social. Por é no âmago dessa Ordem, expressão exponencial da Cristandade, que o nemrodismo secreto vai, propositalmente, depôr suas larvas de infâmia. E disso decorreria, através dos séculos, um encadeamento de causas e efeitos que levaria a sociedade ocidental ao apocalipse revolucionário.

Se não, vejamos:

No começo do seculo XIV, a Ordem dos Templários, fundada em 1118 por Hugo de Payens, possuía dez mil senhorios e ilimitado poder. A disciplina de seus membros perante as autoridades civis e religiosas era uma simples afetação. Eles visavam o domínio do mundo, impulsionados da sombra por espíritos reveis á autoridade do Trono e do Altar. Uma velha tradição os dá como cristãos-joanitas, isto é, descendentes diretos de pretensos fieis de S. João e não de S. Pedro e S. Paulo. No recesso de seus castelos roqueiros, praticavam a goetia, a magia negra(3). O maniqueísmo oriental os invadira, quando a Ordem estivera na Palestina, em contato com os judeus cabalistas e os sectários do Velho da Montanha. Sobre esse facto não resta a menor dúvida histórica(4). O dualismo de Manés é, pelo seu antagonismo primordial, a completa negação do Princípio de Unidade, portanto de qualquer síntese religiosa e social.

A lenda do Bode Preto, que o povo julga existir nas lojas da Maçonaria atual, provem do culto prestado pelos Templário a um ídolo de cabeça de bode, diante do qual o cavaleiro professo prestava seu juramento de obediência, renegando a Nosso Senhor Jesus Cristo(5). Intitulava-se Bafomet. Esse Capricórnio da Dissolução e da Anarquia, enfeitado mais tarde com o manto ensanguentado dos Imortais Princípios, levou a humanidade ao abismo da Grande Guerra e continua a receber oblatas de seus adoradores(6).

Antes que a Maçonaria Templaria pudesse dar na Europa o grande golpe politico que premeditava, sobre ela pesou a mão de ferro dum dos maiores soberanos do Ocidente, o rei Felipe o Belo de França. De surpresa, comendadores, bailios e cavaleiros foram presos por todo o reino, na noite de 12 para 13 de novembro de 1307. Instruídos pelo monarca francês, os reis da Sicília, de Castela, de Aragão, da Inglaterra, de Chipre, os príncipes flamengos e italianos fizeram o mesmo. A conspiração da ordem social destruiu assim a conspiração da desordem. O concilio de 1311 proclamou a abolição da grande Ordem. Até essa data arrastou-se o minucioso processo iniciado com as prisões e devassas havia quatro anos. Nada foi feito de afogadilho. Houve muito tempo para colher provas, receber defesas, fazer agir empenhos e aclamar paixões. Todavia só em maio de 1311 foi queimado vivo o primeiro condenado para escarmento e intimação dos cavaleiros presos, que recalcitravam em confessar os crimes que lhes eram imputados. Seguiram-se, depois, outras execuções. O Grão Mestre, Jaques Molay, somente foi levado á fogueira a 18 de março de 1313, data do calendário anterior a Carlos IX. Suas cinzas - diz uma tradição - foram recolhidas pelo cavaleiro Aumont e sete companheiros, todos disfarçados em pedreiros (maçons), nascendo daí a Maçonaria... Desta maneira, "imensa sociedade secreta se constituiu sobre as ruínas do Templo"(7).

(...).

(3) "Levitikon ou Exposé des Principes Fondamentaux des Chrétiens Catholiques Primitifs" - Clavel - "Histoire Pittoresque de la Franc-Maçonnerie" - "Manuel des Chevaliers du Temple" - Th. de Cauzons - "Histoire de la Magie et de la Soorcellerie en France".
(4) Mignard - "Preuves du Manicheïsme dans l'Ordre du temple".
(5) O bóde-preto, o Bafomet, era beijado in virga virilis ey in fine spinae dorsalis. _ Henri Martin - "Histoire de France" - Jules Gavirot "Histoire de la Magie en France".
(6) Henri-Robert-Petir - "La dictadure des loges". - Paraf - "Israel-1931".
(7) Stanislas de Guaita - "Le Serpent de la Génèse".

BARROSO, Gustavo. Quarto Império. Rio de Janeiro: José Olympio, 1935. Transcrito das páginas 99, 100, 101 e 102.



Abraços 

2 comentários:

  1. Esse livro é encontrável, meu amigo? Talvez, "baixável"?
    Abraço.

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  2. Procurei e não achei.

    Abraços, caro FAB29.

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"Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário."
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