sexta-feira, 28 de março de 2014

A corrupção é gerada pela própria democracia

A corrupção é inerente à democracia

          

“Pode-se dizer, sem medo de exagerar nem de equivocar-se, que a “corrupção” é gerada pelo próprio “Sistema democrático” e que ela opera como uma espécie de “óleo” que lubrifica e mantém em funcionamento as peças do Sistema. Em sua própria essência se encontra a origem ou germe dessa enfermidade moral, particularmente em tudo que se relaciona com o “dinheiro” ou com o “poder do dinheiro”, conforme o seguinte raciocínio:

- Na sociedade política moderna o Poder Político se fundamenta na vontade geral do povo, que resulta da soma indiferenciada das vontades individuais (maioria) e cujas decisões se caracterizam por serem ilimitadas, inapeláveis e infalíveis (onipotência do número). Somente o número, a quantidade anônima e impessoal, decide – como suposto soberano – sobre o bem e o mal, o justo e o injusto etc, além de eleger os que o representam e governarão. Dessa forma se consagra a primazia da quantidade sobre a qualidade.

- Em termos práticos, a expressão da vontade geral requer – para os políticos que querem ser eleitos – contar com a opinião favorável das multidões. A formação de uma opinião favorável, na sociedade moderna, se realiza através dos meios de comunicação (rádio, TV, internet, jornais e revistas, livros, propaganda das ruas etc). O elemento indispensável para poder ter acesso aos meios de comunicação é o dinheiro. Sem dinheiro não há meios de comunicação nem propaganda. Por sua vez, sem meios de comunicação nem propaganda não há opinião. Sem opinião não há eleitores ou votos favoráveis.

- Por outro lado, incentiva-se a opinião favorável, mui freqüentemente, mediante a demagogia e a adulação à multidão, a qual se transforma – e se comprova em todas as civilizações e épocas históricas – em matéria pronta para ser conduzida por aquele que mais a corrompa e prometa.

- Em conseqüência, o dinheiro é o gerador “nas sombras” de todo poder eleito na sociedade moderna, de todo poder baseado na vontade geral e de todo poder mantido na dependência da opinião.

Conforme o raciocínio exposto, deduz-se por simples lógica que os políticos e a partidocracia têm uma necessidade vital em relação ao “dinheiro”, primeiro para serem eleitos e depois para manterem-se no poder mediante uma nova reeleição. E essa “necessidade vital de dinheiro” ou “caixa” foi-se incrementando com o avanço da modernidade e dos desenvolvimentos tecnológicos e o aumento da complexidade social, só podendo ser satisfeita se o “dinheiro” é obtido por alguma destas três fontes:

- De sua riqueza pessoal, conseguida previamente a ser eleito.

- De alguém (empresa, amigo, agiota etc) que o doa, presenteia ou empresta sob determinadas “condições” que deverão ser cumpridas desde o posto alcançado na função pública.

- Do roubo no exercício da função pública (malversações, propinas, comissões, participação na propriedade etc através dos processos licitatórios ou de concessões etc); ou do roubo ou assalto usando a violência física (carros-fortes, bancos, comércios, particulares etc).

Além dessas três alternativas e alguma eventual variante, os políticos e a partidocracia não têm outras opções para obterem o que é a “matéria prima” para a obtenção de um cargo ou posto eletivo, em qualquer dos níveis do Estado.

Em conseqüência, se nos perguntamos qual é a relação entre o Poder Político e o Poder do Dinheiro, conclui-se o seguinte: enquanto o Poder Político predomina em termos ideais e teóricos sobre o Poder do Dinheiro, na prática e da observação da realidade histórica surge que o Poder Político é servil e subordinado ao Poder do Dinheiro, porque é influenciado por este último. (…)

Ora, essa situação de servidão e subordinação do Poder Político em relação ao Poder do Dinheiro continua no exercício do poder. A razão é simples e responde à ambição humana: os que estão no poder querem manter-se nele durante todo o tempo que possam, para o qual devem ser reeleitos. Chegados a este ponto, vêem-se novamente obrigados a reiniciarem o ciclo perverso descrito anteriormente. Dessa maneira, necessariamente, estarão subordinados ao “Poder do Dinheiro” durante o exercício de seu mandato – porque aquele é a fonte de seu poder e tem capacidade para confirmá-los em cada eleição – e, portanto, deverão ser dóceis a suas ingerências ou ordens. (…)

Os que amam e morrem pela “democracia” inexoravelmente devem se acostumar a conviver com a “corrupção”. Basta de simulação e hipocrisia barata.”

(Santiago Roque Alonso, Dinero, Democracia, Control y Corrupción)


Abraços

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