terça-feira, 1 de abril de 2014

Minta, minta sempre. Acabarão acreditando

          
              "Quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre." 
Mário Lago, advogado, poeta, radialista, compositor, ator e comunista até a morte.

A verdade: eu menti.

"Ao confessar ter mentido sobre torturas que eu inventei eu não quero fazer de conta que ninguém foi torturado no Brasil. Ao contrário. Mentir, neste caso, é escarnecer de quem padeceu e experimentou na própria carne o horror do suplício. E foram muitos. Mas não foram tantos e nem foram todos." 
Mírian Macedo, jornalista.

Eu(Mírian Macedo), de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já caí (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.

Despreparada e festiva, eu não tivera nem o cuidado de esconder os exemplares  d’A Classe Operária, o jornal da organização clandestina a que eu pertencia (PC do B/AP-ML/, linha maoísta, a mesma que fazia a Guerrilha do Araguaia, no Pará). Não houve filiação formal, mas eu estava dentro, era assim que eu sentia.

Os jornais estavam enfiados no meio dos meus livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existiam em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.

Já relatei o que eu fazia como militante(1). Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS! (O primeiro texto fala em 30 anos. Eu fui fazer as contas, são quase 40 anos, desde que comecei a mentir sobre os “maus tratos”. Façam as contas, fui presa em 20 de junho de 73. Em 2013, terão se passado 40 anos)

Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo “gritos assombrosos” de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram – achei, depois, que fosse gravação – e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado).

Eu também menti dizendo que meus algozes, diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um “trauma de escadas”, imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.

Quanto aos “socos e empurrões” de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: “Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto”.

Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de “vítima da repressão”. A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).

Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas “tortura inumana” se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI. Que teve gente que padeceu, é claro que teve.  Mas alguém acha que todos nós – a raia miúda – que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido “barbaramente torturados” falávamos a verdade?

Não, não é verdade. A maioria destas “barbaridades e torturas” era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos “barbaramente torturados” e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de “torturado”, ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: “quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre.”

A frase de Mário Lago é citada pelo coronel Brilhante Ustra, em entrevista à Rede Genesis (NET/Canal 26, em 2008), e num artigo do ex-ministro, governador e senador Jarbas Passarinho, publicado no Correio Braziliense, em 2006(2).

Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles “anos de chumbo” era não ser preso (sic). Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.

Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de heróis e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer.

E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e “amarelões” que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os “ômi”. Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.

Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me  se eu queria conhecer a “marieta”, pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que “marieta” era uma corruptela de “maritaca”, nome que se dava à maquininha usada para dar choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.

Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra(3), Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de “verdade sufocada”? Vou conferir.

Fonte : http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/06/verdade-eu-menti_05.html

Notas :
(1) http://blogdemirianmacedo.blogspot.com.br/2011/03/sobre-honestino-guimaraes-odemocrata.html
(2) http://www.averdadesufocada.com/index.php/textos-de-terceiros-site-34/190-1911-a-fora-da-mentira-repetida
(3) http://inacreditavel.com.br/wp/a-verdade-sobre-o-31-de-marco-de-1964/

Fonte : http://inacreditavel.com.br/wp/a-verdade-eu-menti/



Este link abaixo está citado no blog da Míriam Macedo e foi censurado pela 
democracia ... rs   http://www.youtube.com/watch?v=FvQnh_wH0qI

Querem enganar você, não duvide.

Essas pessoas que mentiram e receberam indenizações deveriam devolvê-las com correção, pois trata-se de estelionato sobre os impostos do povo brasileiro, falso testemunho, formação de quadrilha, entre outros crimes.

Ainda hoje, no "Jornal" do SBT vi um repórter dizendo, conforme uma pesquisa, que 46% dos entrevistados consideram a ditadura militar(DM) coisa ruim. O que isso prova? Prova que propaganda funciona. Acaso alguém vê a TV falando bem da DM ? Ou dos militares ? Só se veem críticas. E um outro aspecto foi que o repórter disse que 46% acham a DM ruim, por que não falou que 54% acham que a DM era coisa boa ? Ou alguém acha que esta forma de expor um assunto não interage, não influencia no inconsicente ?

Vejamos também este comentário retirado do blog da jornalista :

"Celia18 de novembro de 2011 18:22
Uma colega minha da FADUSP, que era da esquerda, foi a minha casa em 1974, tinha nas mãos uma caixa de boneca daquelas grandes da Estrela. Ela me olhou suplicante e pôs a caixa em minhas mãos. Dentro havia panfletos, jornais e revistas subversivos. Disse-me que seu marido tinha sido detido e que se esta caixa fosse achada em sua casa, a situação dele se agravaria. Pediu-me para escondê-la em minha casa. Fiquei apreensiva mas pensei em ajudá-la porém, estranhei quando me perguntou:
-"Onde você vai colocar estes papéis"? Indiquei-lhe um armário-cristaleira, que era embutido na parede da sala de jantar do apartamento de meus pais (naquela época residíamos na Avenida Paulista). Eu estranhei a pergunta, pois se eu estava aceitando aquela caixa comprometedora, por que deveria contar-lhe sobre o local do esconderijo?
Senti que era uma cilada. Faltei às aulas daquela noite e fui com minha mãe até um supermercado próximo de nossa casa (onde hoje está o Extra Brigadeiro), que ficava aberto até as 23 horas e deixamos a caixa no setor de pacotes e bolsas (que havia antigamente), pegamos a senha e voltamos para casa.
No dia seguinte, logo cedo apareceram em nosso apartamento o zelador e 3 homens, que se identificaram como encanadores. Disse-me o zelador que havia um vazamento no ponto onde estava o tal armário embutido da sala (sic!) sobre o apartamento imediatamente abaixo do nosso. Este armário tinha um fundo falso. O zelador abriu diretamente o referido fundo falso.....mas estava vazio. Ele chegou a bater na madeira que revestia a parede e não encontrou coisa alguma. Interessante é que no local não havia canos.
Portanto, ela tinha preparado uma cilada para mim. Soube mais tarde que a sujeitinha pretendia que eu fosse presa para que depois o grupelho esquerdista "me salvasse" e o preço seria meu "refúgio" no Araguaia. Fizeram isto com muitos trouxas que cairam nas ciladas esquerdistas indo engrossar as fileiras terroristas que atuavam na região norte ou centro-oeste do país.
Li há pouco tempo que pegavam as carteiras de identidade de inocentes úteis e nas operações subversivas jogavam estas carteiras no chão. Daí avisavam estes bobos de que seriam procurados e detidos. Mas apresentavam a rota de fuga: ARAGUAIA! Muitos foram parar lá por causa da má-fé destes comunistóides e morreram por falta de ambientação à rude floresta tropical, antes mesmo de receberem um tiro das forças governamentais. Desapareceram naquelas matas e são tidos como vítimas da DITADURA (SIC!). Na verdade são vítimas da ditadura esquerdista.
Outras pessoas foram vítimas do patrulhamento ideológico. Ai daqueles que se opunham às investidas dos esquerdistas e sua retórica marxista...."

Abraços

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George Orwell

"Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador."
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